03-12-2024, 02:14 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 03-12-2024, 02:16 PM por Héracles.)
(03-12-2024, 12:37 PM)Crispim Soares Escreveu: E se a "personalidade bem constituída" só foi moldada a partir da desgraça alheia?
Esse é um ponto interessante. Evidentemente dar vasão a esse ímpeto de autoaperfeiçoamento consequentemente significa que alguém precisa sofrer ou ser usado como sustentáculo, como instrumento. É o puro instinto predatório do ser humano afinal de contas, que pode ser observado ostensivamente ao longo da história. De fato, alguns ou a maioria nasceu para ser escravo. Mas se você de fato for do tipo que deve ir a frente, esses instrumentos ficaram felizes em te seguir e talvez até tenham uma vida melhor por isso.
A questão é que isso é um meio, e não o final desse processo... você conta vantagem como se ser "melhor" (nos seus parâmetros) que o tetinha banconzitos já fosse o final. Além do mais, no momento que você se põe em posição de comparação com quem julga ser "inferior" a você, já está se admitindo como parecido ou igual. Existe "o nós" e existe "o eles"... isso que você não entendeu muito bem, aparentemente. A compaixão verdadeiramente desinteressada só pode surgir dessa percepção, uma vez que a tal compaixão abnegada na esmagadora maioria das vezes é apenas uma manobra para massagear o próprio ego, aumentar o prestígio social e se sentir mais forte usufruindo do sentimento de gratidão dos mais fracos.
Se você se percebe de uma qualidade superior, não use e régua dos mais fracos para medir seu avanço... a desgraça ou a gratidão do próximo lhe devia ser indiferente e não um parâmetro de motivação. O óbvio que precisa ser dito.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram." (Xeones para o rei Xerxes)
